Publicado por: Rodrigo FP em: 09/04/2009
Chovia em minha alma. Com frio e assustado, na escuridão, tentei correr. Tentei me esconder debaixo de tudo que conhecia, era escuro, e mais frio sentia. Inocente, tapei meus olhos na vã tentativa de trocar a escuridão opressora pela minha escuridão pessoal, e com as mãos trêmulas toquei meus olhos. As senti frias. Chorei. O calor da lágrima logo era levado pelas gotas grossas que choviam em minha alma. Tentei lembrar um verso, um rosto, um livro, um gesto, uma distração. Tudo era levado pela água e pela escuridão, me sentia inteiro inundado.
Foi então que compreendi. Chovia, pois assim que deveria ser para aqueles que se afastam de casa e buscam novos caminhos. Estou entre dois mundos, o que foi e o que virá, é por isso que nada me impede de sentir a minha alma sendo fortemente lavada. A água e o frio entram fundo no meu ser, e com toda minha vida eu tremo!
Mas estou sorrindo, estou no caminho que escolhi. Essa chuva é minha, ela é minha, essa chuva é a minha certeza de que estou no caminho.
Abro os olhos, com o brilho de olhos que querem mais do que tudo ver. E tudo derrepente se ilumina.
É lua cheia, a noite segue silenciosa e calma. O céu é limpo e eu posso ver todas as estrelas que podem me guiar por todos os caminhos. A noite toda é um convite.
A chuva não pára, mas agora sei bem que ela acontece apenas dentro de mim. Durmo em paz, com o frio acolhedor de quem deixa lavar a sua alma em silêncio.